‘’Transplante de fígado aumenta à medida que o consumo de álcool aumenta”

“Quantos litros você bebe por dia quando adulto provavelmente determinará se você precisará de um transplante de fígado no futuro”

Especialistas do Royal Free Hospital, no norte de Londres, deram este alerta ao anunciarem o 2.000º paciente para um transplante no hospital.

A proporção de transplantes de fígado realizados em pacientes com doenças relacionadas ao álcool subiu 50% nos últimos 15 anos.

Agora, a doença hepática relacionada ao álcool é a principal razão pela qual um transplante é realizado porque os receptores de um fígado não precisam mais se abster de tomar uma bebida durante seis meses antes da operação.

Eles, no entanto, têm que se comprometer a desistir de beber depois.



Pesquisadores da Universidade da Califórnia acompanharam um grupo de quase 33.000 pessoas que fizeram um transplante de fígado entre 2002 e 2016.

Com o passar do tempo, as taxas de doença hepática associada ao consumo de álcool (ALD) aumentaram, com o resultado de que mais de dois terços de todos os transplantes realizados são para pacientes com ALD.

Beber pesado e arriscado estão aumentando no Reino Unido, e há mais de 400 pacientes esperando por um transplante de fígado a qualquer momento, levantando questões sobre quem deve ter prioridade e por quê.

Os dados demográficos das pessoas que realmente chegam ao topo da lista de espera mudaram, assim como suas perspectivas de longo prazo.

O alcoolismo ainda é estigmatizado e, do ponto de vista médico, os médicos costumavam acreditar que pacientes com histórico de alcoolismo poderiam “desperdiçar” um novo órgão se continuassem a beber após um transplante.

Mas, na década de 1980, as orientações médicas relaxaram e as pessoas com ALD só foram permitidas na lista de espera para transplante se comprovassem que eram sérias e se abstinham de beber por seis meses antes da cirurgia.

Então, dois estudos confirmaram que as perspectivas para as pessoas com ALD eram boas após o transplante e, desde então, o número de pessoas recebendo transplantes pela doença aumentou.

Um novo estudo, publicado no JAMA Internal Medicine, descobriu que as chances de sobrevivência são tão boas para pacientes com ALD quanto para aqueles cujos transplantes não tinham nada a ver com a bebida.

A ressalva é que os bebedores precisam de um apoio especial para manter um estilo de vida saudável, já que a ajuda vitalícia é necessária para gerenciar a causa subjacente ao alcoolismo.